O nome do meu pai é João Coragem

- Sabe aquele personagem do Tarcísio Meira em Irmãos Coragem? Meu pai foi aquilo de verdade, na vida real.
Essa semana meu pai vem me visitar. Quer dizer: vem visitar seus netos. Mas é claro que aproveitaremos para tomar uns uísques juntos. (Ele gosta do Johnny Walker vermelho.) Tomaremos também uns vinhos. (Ele gosta de vinho aveludado, especialmente do Santa Helena, um chileno.) Daremos uma risadas boas, tocaremos canções bonitas no violão. Falaremos da vida. Renovaremos os planos de tocarmos alguns projetos em conjunto – o torneio de tiro de laço no sítio aos domingos, um livro sobre o meu tataravô, Maneco Porcina, um gaúcho prototípico que, diz a lenda, virou lenda na segunda metade do século 19 na região de São Sepé. Oigaletê.
Eu gosto que meus pais venham nos visitar. Gosto que fiquem vários dias. Tenho uma sensação bacana, gregária, de caverna ou de rincão, de conversa em volta do fogão a lenha, ao vê-los aconchegados conosco. Logo eles, meu pai e minha mãe, que nunca foram muito gregários. A geração deles é a da expansão, da ruptura geracional, da diáspora. É engraçado: meu pai gosta de vir nos visitar no Dia das Mães. Ele sente muita saudade da mãe dele, a avó que eu não consegui conhecer. Talvez estar conosco nesse dia seja o seu jeito de lembrar dela, de estar perto dela, de trazê-la mais para perto de nós. Leia mais








