O nome do meu pai é João Coragem

Sabe aquele personagem do Tarcísio Meira em Irmãos Coragem? Meu pai foi aquilo de verdade, na vida real.

Essa semana meu pai vem me visitar. Quer dizer: vem visitar seus netos. Mas é claro que aproveitaremos para tomar uns uísques juntos. (Ele gosta do Johnny Walker vermelho.) Tomaremos também uns vinhos. (Ele gosta de vinho aveludado, especialmente do Santa Helena, um chileno.) Daremos uma risadas boas, tocaremos canções bonitas no violão. Falaremos da vida. Renovaremos os planos de tocarmos alguns projetos em conjunto – o torneio de tiro de laço no sítio aos domingos, um livro sobre o meu tataravô, Maneco Porcina, um gaúcho prototípico que, diz a lenda, virou lenda na segunda metade do século 19 na região de São Sepé. Oigaletê.

Eu gosto que meus pais venham nos visitar. Gosto que fiquem vários dias. Tenho uma sensação bacana, gregária, de caverna ou de rincão, de conversa em volta do fogão a lenha, ao vê-los aconchegados conosco. Logo eles, meu pai e minha mãe, que nunca foram muito gregários. A geração deles é a da expansão, da ruptura geracional, da diáspora. É engraçado: meu pai gosta de vir nos visitar no Dia das Mães. Ele sente muita saudade da mãe dele, a avó que eu não consegui conhecer. Talvez estar conosco nesse dia seja o seu jeito de lembrar dela, de estar perto dela, de trazê-la mais para perto de nós. Leia mais

Um bilhetinho para Carolina Dieckmann

Um bocado de gente tem motivos para sentir vergonha nessa história toda. Menos a moça dessa foto. (Imagem: Fã Clube Carol Dieckmann - http://fcodieckmann.blogspot.com.br/)

Sexta passada eu e outras dezenas de milhões de brasileiros soubemos da situação que você está enfrentando, Carol: colocou seu notebook no conserto, fotos suas foram copiadas indevidamente lá de dentro, você foi chantageada a pagar 10 mil reais em troca de uma suposta não divulgação dessas fotos – que acabaram caindo na internet. Na própria sexta, antes mesmo de ler as notícias a respeito, eu e outras dezenas de milhões de brasileiros já tínhamos recebido as suas fotos em nossas caixas postais.

Coisa parecida já tinha acontecido antes com a  Scarlett Johansson – e muito antes desse incômodo paralelismo entre vocês eu já lhe considerava uma espécie de Scarlett brasileira e a considerava uma espécie de Carolina de Hollywood. Sempre achei que vocês operam numa frequência parecida. Então sempre cataloguei ambas no mesmo escaninho. Os ensaios devassados de vocês duas, também semelhantes, só ampliaram essas coincidências. Para quem não viu nem umas fotos nem outras: são fotos de meninas em sua intimidade, no quarto ou no banheiro, os espaços mais privados que temos nessa vida, que convidamos pouquíssimos outros seres humanos a compartilhar conosco. Scarlett fotografa sua derrière no celular, com a ajuda do espelho. Um desejo de se ver nua de costas sem ter de torcer o pescoço. Ou seja: meninas checando o próprio corpo, testando seus dotes, ensaiando suas linguagens corporais de sedução – coisa mais comum, mais humana e mais feminina impossível. (Aliás, o caso trouxe à tona o histórico de mais de uma dezena de outras moças célebres com fotos que vazaram nos últimos anos na Internet – de Rihanna a Miley Cyrus, a virginal Hannah Montana.)

As fotos de Scarlett também revelam um peito, um dos itens mais bem avaliados no seu portfolio. Já Carol aparece fazendo pose, meio moleca, em algumas fotos. Ou seja: meninas brincando com a própria sensualidade, de modo casual, quase angelical. Carol também aparece num nu frontal -  reto, neutro, sem pose, quase documental. Enfim – as fotos não tem nada demais. Exceto pelo fato de terem revelado um pouco da nudez de duas mulheres famosas e razoavelmente desejadas que não tinham ainda posado nuas em lugar algum. (Carol, diga-se, é um pouco odiada pela comunidade de folheadores – e folheadoras – de revistas masculinas com ensaios sensuais femininos por nunca ter posado. O pessoal fica contrariado por ela ainda não ter aceitado nenhuma proposta e ter privado o país de vê-la sem calcinha e sem sutiã, se contorcendo numa sacada no Mediterrâneo ou se esticando num sofá em Nova York – como se isso fosse uma obrigação só porque ela é uma celebridade.) Mais do que a nesga de nudez das duas, no entanto, a eletricidade desses ensaios roubados reside na própria invasão de privacidade. Não é tanto o que você vê, mas a transgressão de entrar num ambiente proibido à sua presença, para onde você não foi convidado. Entenda-se, portanto, que boa parte das motivações por trás de quem roubou e de quem consumiu essas fotos tem uma proximidade muito grande com as motivações do estupro – a atração do prazer não consentido, imposto ao outro, que se torna um objeto desrespeitado do nosso gozo unilateral. (A culpabilização social da vítima, como se ela “merecesse” ou fizesse algum tipo de “convite” ao crime, minimizando ou até mesmo justificando assim a ação do agressor, situação absurda que Carol está vivendo em alguma medida, também é típica de ambientes bárbaros que convivem com a lógica do estupro.) Leia mais

Você já realizou um sonho hoje?

Sonhos não se realizam - nos é que os realizamos. Ou: quanto você caminhou hoje na direção de si mesmo?

Quantos passos você dá por dia na direção do seu sonho? Quantos passos você deu hoje? Quantos deu ontem? Quantos dará amanhã?

É preciso caminhar todo dia na direção daquilo que você quer de verdade. Não importa qual seja o seu sonho. Nem de onde você está partindo. Importa você ter clareza do que quer. E caminhar em direção a isso. Um passo todo dia, sempre na mesma direção, um dia após o outro, com tino, foco e resiliência.

A vida já deve ter lhe ensinado: as coisas dificilmente vem até você – especialmente aquelas que você mais deseja. É preciso ir até elas. E elas quase nunca estão próximas, ao alcance da mão – especialmente aquelas que você mais deseja. Então é preciso caminhar. Muitas vezes, dezenas de quilômetros – que você jamais vencerá se não tiver o denodo, a paciência, a perseverança de avançar alguns metros todo dia. E essa contabilidade tem que ser diária. Afinal, o que não vira rotina também não vira prioridade. Você jamais terminará aquilo que nunca se dispõe a começar. É preciso inspiração e é preciso energia para transformar suas visões em obra concreta. Imaginar é ótimo. Mas erigir com tijolo e cimento, e não só com sinapses, é muito melhor. É isso que diferencia meninos (e meninas) sonhadores de homens (e mulheres) realizadores. Uma coisa é o plano, o projeto, a ideia. Outra coisa é a obra. Leia mais

Saudade dos amigos que não voltam mais

 

As amizades e os amores tem começo, meio e fim. Às vezes até renascem. Mas, como tudo na vida, não são eternos.

É engraçado como amizades nascem e morrem. Os amigos vem e vão. Ao sabor da vida, que também está sempre em movimento e nunca debaixo do nosso controle, como gostaríamos.

A memória da gente é povoada de fotografias. A gente captura momentos. E os armazena. (Alguns jogamos fora. E quando limpamos a lixeira, os deletamos, eles desaparecem para sempre, como se jamais tivessem acontecido.) Aos momentos que ficam, a gente olha para trás e fica imaginando que existiram daquele jeito mesmo, estáticos, retocados, perfeitos. Nunca foi assim. Não é assim que acontece. Nunca foi assim que aconteceu. Aquelas passagens, que nos causam saudade, nunca tiveram começo, meio e fim como uma unidade. Elas sempre foram fluxo. O tempo não para. A vida não para. Sentir saudade é um pouco uma tentativa de congelar esse ritmo alucinante que nos torna velhos, que nos arrasta semi inertes pelo tempo e pelo espaço, nos arrancando pessoas, ingenuidades, amores, amizades, cutículas, tônus muscular. A nostalgia é uma reação com esse movimento intenso, caótico, incerto da vida que anda para frente – uma tentativa de se refugiar no passado, um lugar estático, sem riscos, onde tudo já aconteceu, já está definido, já é conhecido. Mas eu já escrevi o suficiente sobre saudade aqui no Manual…

Aos 24 anos recém completos, eu estava às vésperas de uma viagem que me levaria para longe, por muito tempo. Jantei pela última vez com amigos queridos. Com o peso da despedida pairando sobre a mesa. Com o peso da minha decisão de ir embora sentado entre nós. Eu trocava de vida, rompia com a minha cidade, deixava para trás meus pais, meu país, meus amigos. Por três longos anos. Eu os estava perdendo. E disse isso quando nos despedimos, em frente ao restaurante. Falei alguma coisa sobre a possibilidade de não nos encontrarmos mais. Aquela meia dúzia de almas que haviam se conectado pouco mais de meia década antes, ao entrarmos juntos na faculdade. Um deles me abraçou e, terno, minimizou a minha tristeza, dizendo que nada daquilo iria acabar. Os outros fizeram coro. Ele acreditava naquilo. E eu acreditei também. Todos nós nos agarramos àquela perspectiva menos melancólica naquele final de noite. Leia mais

O fax que eu enviei a Millôr Fernandes

Quem substitui um wit como o dele?

Eu tinha acabado de ler Apresentações, livro de Millôr que enfeixa os vários textos de apresentação que ele fez ao longo da vida, para livros, perfis, peças e outros quetais de amigos, conhecidos e outras figuras públicas e privadas.

E aí resolvi, moto contínuo, escrever uma apresentação de Millôr Fernandes – perfil que obviamente não havia em seu livro. E resolvi escrevê-lo à moda de Millôr Fernandes.

É que eu também havia lido que, no começo da carreira, ainda menino, Millôr adorava sentar na máquina de escrever de Nelson Rodrigues, quando este se ausentava por um momento da sua cadeira na redação da Última Hora, e continuar o texto do velho. Millôr escrevia às vezes um parágrafo inteiro, às vezes até mais, e fazia questão de escrevê-lo à moda de Nelson Rodrigues. (Acho que li isso no livro de Ruy Castro.) Aí Nelson voltava, percebia o enxerto, lia em silêncio, sorria com os olhos e continuava batucando sua crônica, pegando do ponto mesmo onde Millôr havia deixado o texto.

O resultado do meu exercício está abaixo. Eu cheguei a enviá-lo por fax a Millôr. E o velho bruxo de Ipanema me ligou em cinco minutos. Batemos um papo de cinco minutos, eu completamente star struck, e nunca mais nos falamos. Nem precisava. Já estava bom demais.

De minha parte, espero ter feito um carinho, uma homenagem, um reconhecimento. Do jeito e do tamanho que pude. Da parte dele, espero que tenha gostado. E que meu fax tenha podido lhe valer uns minutos de satisfação numa tarde qualquer de fim de verão. (Os verões sempre terminam.)

Tchau, mestre. Obrigado por tudo. Leia mais

Sobre ser generoso

Para ser generoso de verdade é preciso sê-lo com quem não tem condições (às vezes por questões de caráter e personalidade) de lhe oferecer reciprocidade

Eu sou de ajudar os amigos. Tomo os problemas deles com se fossem meus. Mas já mergulhei mais fundo nesse vício. Desde há uns anos, fui me dando conta de que nem sempre o que você enxerga como problema é visto da mesma forma pelo amigo. Ou vice versa. E quase nunca a receita que você oferece como antídoto é algo que vai fazer sentido para o sujeito. Os tempos e os ritmos são diferentes. Assim como o teor e a direção das decisões. A vida é um jogo feito de escolhas – e das suas consequências em nossas realidades. Cada um precisa ter a liberdade e a responsabilidade de exercitar isso no seu dia a dia. Então é impossível “salvar” os outros das decisões que tomam – e dos seus desdobramentos. Por piores que elas sejam. E por mais que você ame essas pessoas. Exercer esse controle, ainda que amoroso e com a melhor das boas intenções, seria impedir a pessoa de viver. Ou de andar com as suas próprias pernas. Como na ótima frase que ouvi já faz um tempo: não adianta você querer colocar o seu tijolo na parede dos outros. Não cabe direito, as medidas são diferentes, nunca resolve, nunca é suficiente, nunca é bom – a parede do cara continua torta, ou mal remendada, e você, bem, você desperdiçou um tijolo.

Uma vez eu precisei de um amigo – apesar de ter sempre me atirado ao mar para ajudar pessoas de quem eu gosto (e que às vezes nem sequer posso considerar “amigas”), sempre cultivei um baita pudor de levantar a mão e pedir água. Mas uma vez precisei que um amigo me encaminhasse dentro da empresa em que ele trabalhava. Na verdade, bastava encaminhar um trabalho meu. Não precisava lobear muito, nem levantar da cadeira, nem se por em maus lençóis, nem fazer quase nada. Era só dar um forward e, sei lá, escrever duas linhas elogiosas a meu respeito ou a respeito do meu trabalho. Meu amigo não o fez. Me devolveu o pedido dizendo que enviaria o texto – sim, era um texto para publicação, na época em que o nome “Adriano Silva” significava ainda menos do que significa hoje -, mas que não insistiria muito com o seu colega. E eis o seu argumento – ele não gostava quando intercediam junto a ele a favor do trabalho de alguém, então ele não intercederia a meu favor. Então ele não abriria essa porta. Não sairia da sua zona de conforto. Repassaria a sugestão sem lhe acrescentar nenhum verniz, nenhum enfeite, nenhum asterisco ou piscadela. Esse cara era um daqueles amigos fundamentais. Que, bem, não se mostrou exatamente como eu o considerava intimamente. Mas eu não o considerei egoísta nem canalha. Lembro de ter admirado a sua sinceridade (para comigo) e a sua honestidade intelectual para consigo mesmo, e preservei unilateralmente a nossa amizade de qualquer solavanco por causa disso. Leia mais

Por que complicamos tanto

Reunionismo e verbocracia: os novos cancros da vida corporativa

Há uma espécie de regra invisível no mundo corporativo: complicar o que poderia ser simples. Isso acontece no Brasil e acontece lá fora também. Trata-se de uma função do tamanho da empresa, normalmente. Quanto maior a corporação, mais lenta e confusa e intrincada ela fica. Tem-se a ideia de que quanto maior a empresa, mais bem gerida ela é, mais recursos ela tem para investir em se tornar fluida e eficiente. Não é bem assim. Mas as complicações acontecem também em função do estilo das pessoas que perfazem a empresa. Dependendo do estilo da gestão, é possível tornar inextrincável uma operação com meia dúzia de cabeças trabalhando dentro de um mesmo recinto. A ideia que morre, nessa perspectiva, é a de que uma estrutura enxuta é mais intuitiva, direta e simples.

Eis o ponto: em organizações empresariais, na maioria das vezes, a gente torna difícil o que é fácil, a gente torna complexo o que é simples, de modo a tornar tudo mais custoso, obscuro, trabalhoso – talvez, em alguma medida, deliberadamente; talvez, em alguma medida, para justificar o nosso próprio trabalho e a própria existência de nossos cargos. Gerentes existem para gerenciar problemas. Sem problemas, haveria menos gerentes. Então nós, os executivos em geral, precisamos de problemas para existir, para garantir nossos empregos. Eliminar os problemas das nossas vidas, e das empresas em que trabalhamos, para além de determinado ponto, significaria também a eliminação relativa de nós mesmos. Leia mais

O dia em que fui um pulha

Numa sala de aula, há 33 anos, eu exercitei a maldade. E não gostei.

Corria o ano de 1979. Eu tinha oito anos e cursava a terceira série do primário. Ou o terceiro ano do Primeiro Grau. Ou do Ensino Fundamental, como se diz agora. Não importa. Eu tinha oito anos. E já me firmava ali com a persona que teria ao longo de quase toda minha vida escolar: não era líder, não era popular, não era nerd (naquela época, não se dizia isso: na minha cidade, se dizia “crente”), não era craque, não era namorador, não era da turma do fundão, não sentava na primeira fila, não era o terror das professoras nem o seu preferido. Era quieto. Observava e sentia. Ficava na minha. Não mexia com ninguém e não gostava que mexessem comigo. Tinha medo de dois ou três caras que sempre achavam alguém para brigar na saída. E invejava o Márcio, um cara meio gordinho, muito gente boa, um chapa meu que sempre trazia no recreio um pão francês com ovo frito dentro. Eu me deliciava vendo-o comer aquilo lambuzadamente. Eu não lembro do que levava como lanche – ou se levava alguma coisa. Bom, essa é ao menos a imagem que eu fazia (e faço) de mim. Não quer dizer que seja acurada. Muito ao contrário. Talvez outras pessoas que conviveram comigo naqueles anos tenham outra lembrança de mim, que destoe dessa fotografia de um menino tímido, mais calado do que falante, de ar mais introspectivo do que sorridente, de poucos e bons amigos e de bom coração.

Esse foi o único ano de minha vida em que estudei à tarde. Era interessante ir para a escola depois do almoço, com sol de meio dia – ao invés de sair de casa sonado, bem cedo, pegando ainda o rabo do frio da madrugada sulina. Era interessante voltar para casa à tardinha, já com o dia indo embora. Com calma preguiçosa, sem a pressa e a fome do almoço. E eu vinha pela sarjeta, em câmera lenta, com a cabeça na lua, chutando pedregulhos e catando pequenos badulaques pelo caminho. Figurinha de chiclete, palito de sorvete, tampas de garrafas, um pedaço de barbante. Minhas posses. Meus achados. Meus sonhos. Chegava em casa a tempo de assistir o HB 79, desenhos da Hanna Barbera que a TV Globo passava antes da novela das 6 – que naquele ano era Cabocla, com Fabio Jr. e Glória Pires, muito antes de Cléo e Fiuk. Leia mais

A receita de um vencedor

Walt Disney pegou muito na pá e na enxada para fazer Mickey ser o que ele é

Na aurora da carreira de Walt Disney (sem trocadilho com o nome da personagem principal de A Bela Adormecida, clássico que a empresa que Disney criou viria a eternizar nas telas do mundo inteiro mais tarde), já dá para depreender algumas características que perfazem o grande empreendedor – para seguir um bocadinho mais na conversa que começamos no post anterior. Já é possível ver ali, no jovem Walt, as características básicas de um cara que mais cedo ou mais tarde vai dar certo no mundo dos negócios.

Eis a receita do vencedor que eu enxergo em Disney e que divido aqui com você: Leia mais

Nunca ninguém acreditou tanto em si mesmo

Tá vendo esse olhar aí em cima, estampado na cara do jovem Walt? É fome. Fome de realizar.

Estou lendo a ótima e robusta biografia de Walt Disney, escrita por Neal Gabler. Devo terminar as mais de 700 páginas, diagramadas para absorverem, cada uma delas, uma cacetada de texto, sei lá, daqui a uns dois anos. Mas estou me divertindo um bocado.

Duas passagens me chamaram a atenção logo no começo da carreira de Disney, quando ele era pouco mais do que um menino, na virada da década de 10 para a década de 20 do século passado. A primeira: o pai de Disney, que nunca deu realmente certo em suas tentativas de negócio, comprou umas ações de uma fábrica de gelatinas que estava indo bem e conseguiu um emprego para o jovem Walter por lá. Os Estados Unidos ainda não eram a potência econômica em que viriam a se consolidar no segundo pós guerra, os tempos eram duros para a família Disney e aquele emprego em uma fábrica sólida era uma tacada segura e promissora para Walt. Só que Walt era um artista. Só queria saber de desenhar. Então ele recusou o emprego seguro, conseguido a dura penas por seu pai, em nome de uma aventura absolutamente arriscada – ganhar a vida como cartunista. (Se isso soa como uma opção de carreira insegura hoje, daquelas que deixam os pais de cabelo em pé, imagine há 100 anos…) Walt bateu pé, enfrentou seu pai e foi correr atrás do que que era seu. Ou de si mesmo. Em tempo: a fábrica faliu em seguida – e o pai de Disney perdeu o dinheiro que investira ali. Leia mais