Nunca é cedo demais para correr atrás do seu sonho

Quando a empresa está olhando para um lado e você para outro, não tem como dar certo.

Recebo por email a mensagem de um membro da nossa comunidade de ingênuos:

“Caro Adriano,

“Já li no seu blog alguns textos que foram muito úteis a mim e a vários outros leitores. Agora chegou a minha vez de desabafar e pedir um conselho.

“Estou no seguinte momento em minha vida profissional e pessoal: tenho 26 anos, sou formado em Administração de Empresas por uma universidade pública referência no meio, e trabalho há quase quatro anos em um banco. Iniciei como estagiário e dois anos depois fui contratado como gerente de investimentos, cargo que ocupo até hoje.

“Minha área vem passando por uma série de reformulações. A pressão por resultados aumentou. A cobrança é grande, por números e clientes. Venho trabalhando bem abaixo da receita/meta ideal, mas de modo muito similar aos meus pares.

“Acontece que já me sinto esgotado e não tenho o brilho nos olhos para ir em frente com a força que esse projeto demanda. (Talvez eu não acredite que os resultados pedidos sejam possíveis de alcançar.)

“Um gerente próximo a mim me disse: “Você já está cansado e a maratona ainda não começou”. Nestes dois anos percebi que minha estrela se tornou opaca. Sempre fui destaque como talento precoce, sempre estive do lado das conquistas. Mas hoje me vejo estagnado, desestimulado e sem norte. Mesmo a possibilidade de mudança de área não me desperta grandes emoções.

“Paralelo a isso, desde o primeiro semestre da faculdade nutro o sonho de montar uma consultoria, com foco em pequenas e médias empresas, entregando gestão financeira, operacional e comercial. Então nesse momento de intranquilidade penso se não seria a hora de me aventurar no mundo dos negócios. Sei da extrema competitividade que eu enfrentaria. E da necessidade de conhecimento. Mas pelo que já acumulo de experiência, pelo momento que enfrento no meu cargo atual isso só me leva a perguntar todos os dias – essa não será a minha hora?”

Meu caro companheiro de ingenuidades,

Muito obrigado por seguir o Manual, por me acompanhar nessa migração e por escrever.

Eis o que eu penso:

1. Você tem 26 anos. Tem todo tempo do mundo para tentar, errar, começar de novo. Então você tem quase uma obrigação de experimentar. A gente pode se arrepender pelo que fez na vida, jamais pelo que deixou de fazer. Essa regra vale para todo mundo. Mas antes dos 30 essa regra vale ainda mais.

2. O nível de pressão varia de empresa para empresa, de projeto para projeto e, principalmente, de chefe para chefe. E a sensibilidade à pressão também varia de pessoa para pessoa. É claro que a ansiedade por realizar, por acontecer e por dar certo é grande em qualquer ambiente e em qualquer profissional também. A sabedoria aí é trabalhar num lugar que demande uma quantidade parecida de sangue com aquela que você está disposto a dar. Se a empresa quer muito mais do que você está oferecendo, vai virar, a seus olhos, um moedor de carne insuportável. Se a empresa operar numa velocidade abaixo da sua, vai lhe parecer um retiro sonolento, um atraso de carreira – igualmente insuportável.

3. Me parece que há uma outra questão aí, importantíssima: você não acredita mais no que a empresa está lhe propondo. Você não acha que a meta é exequível, que os resultados esperados virão. Quando isso acontece, pode crer, nada mais acontece. É a morte do tesão e da confiança. Você está olhando para um lado e a empresa está olhando para outro. Não tem como dar certo.

4. Por fim: seu sonho é empreender? Empreenda. Nunca é tarde demais para realizar aquilo que você deseja. E nunca é cedo demais também! O máximo que vai acontecer é não dar certo desta vez. Aí você poderá voltar para um emprego. Ou empreender de novo. O importante é não ficar parado numa situação que não é boa para você. A gente tem sempre que buscar a felicidade, pessoal e profissional, onde ela estiver. Sem medo de errar nem de trocar de pele.

Grande abraço e boa sorte em tudo!

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7 Comentários.

  1. Adriano, boa tarde!

    Acampanho seu blog a pouco mais de um ano, acho fantásticos os post’s… e esse me chamou muita atenção porque vivo uma situação semelhante ao do nosso companheiro de ingenuidade!!

    Parabéns!

  2. Engraçado… acredito que passei pela mesma situação (empresa e cargo). E eu tinha a MESMA SENSAÇÃO: não consigo entregar o que o banco me pede, ou, se conseguir, perco a paz e o juízo. Tb fui gerente de investimentos por 2 anos em um grande banco mas já não aguentava mais. O que no começo era um prazer virou um tormento. Tenho 26 anos também e decidi que ali não dava mais. Mas, diferente do amigo, gosto desse mundo e pedi transferência para gerência de contas PJ em janeiro. Resultado? Até então, os melhores seis meses da minha vida profissional. Não tem meta, cliente chato, problema, pressão, que me tire o prazer de fazer o que faço. E aí sim, consigo entregar até mais do que me pedem. Vai ser sempre assim? Claro que não! Mas na hora em que não der mais, deixo meu cariri no primeiro pau-de-arara! :wink:
    Parabéns pelo post!!

  3. O blog mudou de casa, mas a qualidade dos leitores e a pertinência das questões ingênuas continuam fantásticas. Parabéns!!

  4. Camila, Felipe: a vida às vezes é mais universal no que ela tem de mais particular. O caso desse nosso amigo ingênuo confirma essa tese. E é mais ou menos isso o que eu tento fazer aqui: universalizar a individualidade, tornar o que é “meu útil” para “todo mundo”. Beijos e abraços.

  5. Adraino, parabéns por esses textos tão instigantes. Sigo você desde o Manual do Executivo, você até já respondeu um email meu e publicou no seu blog na exame.

    Obrigado,

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