Meu presente de aniversário musical

Many thanks, Bau!

Tenho um amigo das antigas, daqueles que são meio irmãos, que são para sempre, mesmo que fiquem distantes por longos períodos, que já me deu três compilações de músicas. Estão entre os melhores presentes que já recebi. Um mimo assim é criativo, pessoalíssimo, quase um gesto de amor, de tempo e paciência e pensamento dedicados a você.

A primeira compilação ele me regalou em minha festa de 30 anos, em 2001. Muita coisa alegre, num CD para cima – de Abba a Blur. A segunda, há dois ou três anos, veio num email com uma lista de links comentados. Eram músicas importantes para ele – e que ali dedicava a mim. Foi quando conheci coisas bacanas como The Pippetes, Dexys Midnight Runners, Lucky Soul e The Lodgers. Agora recebo, pelos meus 41 anos, outra lista. Que faço questão de reproduzir aqui. Presente bom é assim – a gente mostra para os amigos.

Compartilho hoje só o Lado A da Basf Cromo. O Lado B subo nos próximos dias. Enjoy!

VOLUME 2 (2009-2011)

Se fosse uma Basf Cromo, com Lado A e Lado B, ficaria assim:

LADO A

Começo de onde o outro mix parou. Em ordem pessoal e mais ou menos cronológica. Quem sou eu, mas algo como o John Cusack (ou o Nick Hornby) em Alta Fidelidade, que organizou os seus vinis não alfabeticamente, mas por fases da vida.

“It’s all over now Baby Blue” (versão do The Chocolate Watchband, 1967)

Não conhecia essa versão/cover do Bob Dylan, e pra ser sincero nunca tinha ouvido falar dessa banda psicodélica dos anos 60. Mas ficou muito legal. Uma mistura de sensação de perda com vontade de sacudir a poeira, com raiva e lirismo. http://www.aquariumdrunkard.com/2011/03/01/the-chocolate-watchband-its-all-over-now-baby-blue/

“In a misty morning” (Gene Clark, 1973)

Doce e gostosa, apaziguadora. 1973 é um dos anos preferidos de muita gente que entende de pop, como o Alistair Fitchett, do Unpopular. Mas o Gene Clark, nessa época, tava mais era a fim de sair do agito (rompera com o The Byrds), e fazer coisas de sabor country. Não sei se ele conseguiu realizar o projeto. Mas volta e meia retorno às suas músicas. http://tedbarron.com/EOB-Jan-2009/07-Misty-Morning.mp3

“Eternally Teenage” (Tomorrow’s Tulips, 2009)

Mistura de Beach Boys com Jesus & Mary Chain. Essa música dá um toque, para mim, de como é legal estar vivo. E que sempre é tempo de fazer coisas legais – não dali a seis meses, mas depois do almoço mesmo. http://www.mp3ye.eu/825965_tomorrows-tulips-eternally-teenage-mp3-download.html http://www.youtube.com/watch?v=w0jEzYNf7uw

“Melody Fair” (Bee Gees, 1971)

Da trilha do filme “Melody”, do Bee Gees. Fracassou na bilheteria e virou cult no Japão. Na Argentina também (!). Não sou muito fã do filme, mas adoro a menina, de uma delicadeza e inocência, lembra nisso a minha filha. 1971 foi um baita ano de cults: Ensina-me a Viver, Vanishing Point… O meu preferido ainda é o Willy Wonka, A Fantástica Fábrica de Chocolate, com o Gene Wilder. Mas 1971 não me pertence. Minha primeira lembrança pop é de 1976, aos 8 anos, o meu primo mais velho pintando com giz de cera a capa do álbum Houses of the Holy, do Led Zeppelin, na parede do quarto dele. Só mais tarde, claro, fui entender o que aquilo significava. http://www.youtube.com/watch?v=O7qCT8sg1bs

[ O meu primo teve uma vida atribulada, dramática. Minha última (boa) lembrança dele é de 1988, num fim de tarde de outono, jogando futebol no campinho que havia em frente à Faculdade de Comunicação da UFRGS. Eu indo para alguma aula, ele ali, calça jeans arregaçada, sem camisa, cabeleira solta, batendo uma bola com a rapaziada. Eu deveria ter matado aquela aula, mas o medo de “ir para o lado errado” (e uma pontinha de inveja e despeito) me impediram. Descansa em paz, Humbertinho, que, com pesar, admito, os desencontros e preconceitos impediram-me de ser teu camarada. ]

“Tracy Hide” (The Wondermints, 1994)

Homenagem que os caras do Wondermints fizeram à atriz mirim do filme “Melody”, Tracy Hyde: http://www.tracyhyde.net/images/03_Tracy%20Hide.mp3 e http://www.youtube.com/watch?v=ncakqjoH-hY E aos Bee Gees, claro. Foi o Fitchett, do blog Unpopular, que abriu meus ouvidos aos Bee Gees pré-Embalos de Sábado à Noite. (http://unpopular.typepad.com/unpopular/2011/05/melody-haunts-my-reverie.html)

“Coconut Shampoo” (Neverever, 2010)

Outra música que me faz sentir o gosto doce de estar vivo. Será que existe amor maduro assim, como o que sentíamos aos 16 anos, idade do casal de namorados do clipe? Eu acho que não. Existem, é verdade, outros amores (um garoto não imagina o amor de pai), mas não aquele. http://www.youtube.com/watch?v=Rjd6VIRR2Ok

“I Wish That I’d Taken More Photographs” (Hillary & The Democrats, 2010)

Música irônica, com uma pegada boa. Será que esses caras não são jornalistas? Muitos jornalistas (não todos, felizmente), quando montam banda, colocam nomes como “Mensalão”, “Césio 137″… Não saem mentalmente da redação. Talvez gostem tanto do lugar que não queiram. Eu gostei do som, mas o nome da banda parece manchete de 2008. http://www.youtube.com/watch?v=-HQz8tXCBpU

“Hazel” (Weekend, 2011)

E de repente é 1987 de novo, com a banda Weekend. Os anos 80 não morrem de jeito nenhum… http://soundcloud.com/slumberland-records/weekend-hazel

“Rain” (Mika, 2010)

Ok, uma música manjadíssima, meio cafona até. Mas eu tava no avião, indo pra Buenos Aires, na minha primeira reportagem internacional, e uma das músicas no menu da tela na poltrona era essa. Na chegada, um funcionário com cara de Don Corleone pergunta: “¿Trabajo o placer?”. Na minha frente, um típico executivo paulistano responde “trabalho”, apressado, sem se dar ao ‘trabalho’ de trocar o “lh” pelo “jota”. Mas Cabra, nunca te agradeci apropriadamente, pois se não fosse aquela brecha da Superpolêmica gremista, naquela Superinteressante do começo dos anos 2000, talvez eu ainda estivesse num trampo anódino, sem prazer. http://www.youtube.com/watch?v=sknDfB3pJB8

 

To be continued…

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